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O jazz de Monk une brancos e negros em Palo Alto (por Flávio de Mattos) | VEJA

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O jazz de Monk une brancos e negros em Palo Alto (por Flávio de Mattos)

Os Estados Unidos viviam, em 1968, um dos momentos de maior tensão racial em sua história, após o assassinato de Martin Luther King. As manifestações dos movimento negro eram violentamente reprimidas pela polícia. Nesse ambiente conturbado, um concerto do pianista Thelonious Monk propiciou um raro momento de harmonia, com negros e brancos reunidos, para escutar o bom jazz, em uma escola de brancos, em Palo Alto, na Califórnia.

O álbum Thelonious Monk in Palo Alto, com a gravação desse concerto, que será lançado pela gravadora Impulse! no final de julho, não é somente mais um disco ao vivo de uma lenda do jazz. Além das circunstâncias especiais de sua realização, nele está registrado o ápice musical do quarteto de Monk, com Charlie Rouse, no sax tenor; Larry Gales, no baixo; e Ben Riley, na bateria. Eles haviam acabado de lançar o álbum Underground, que foi o último do grupo, desfeito poucos meses depois dessa apresentação.

A história insólita do evento é que ele foi organizado por um garoto branco, fã de jazz, de 16 anos, que sonhava ouvir o legendário pianista tocando em sua cidade. Danny Scher, ligou para Nova York e conseguiu convencer Thelonious Monk a se apresentar no auditório de sua escola de segundo grau. Danny precisava lotar o auditório, para conseguir pagar o cachê de US$ 500, pedido pelo músico.

Morador da área nobre de Palo Alto, Danny Scher viu que não conseguiria vender todos seus ingressos somente em seu bairro. Decidiu que teria de divulgar o concerto no outro lado da cidade, no bairro de East Palo Alto, de maioria negra. onde certamente encontraria ouvintes interessados no show de Thelonious Monk.

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Danny Scher se aventurou por aquele bairro, colando cartazes do show em todas as partes. As pessoas ali não acreditavam que o grande Thelonious Monk iria à Califórnia para tocar em uma escola de brancos. O garoto propôs aos incrédulos que fossem lá, no dia do show e vissem, antes de comprar as entradas. O estacionamento do colégio encheu de gente, horas antes do concerto, esperando para ver se o músico viria mesmo. Quando Monk chegou em uma van, todos os ingressos foram, imediatamente, vendidos.

Outro detalhe insólito é a história da fita com o registro do show. O zelador da escola, que também era músico, se ofereceu para afinar o piano do auditório, se pudesse gravar o concerto. Essa fita ficou esquecida por quase 50 anos, entre as coisas de Danny Scher. Ele a encontrou por acaso e encaminhou ao músico T.S. Monk, filho de Thelonious e curador de sua fundação.

“Eu nem sabia que meu pai tinha tocado em uma escola de ensino médio”, comenta T.S. Monk. “Mas, escutando a fita, notamos sua dedicação e a da banda. Ele estava desfrutando muito. Na verdade, essa é uma das melhores gravações ao vivo de Thelonious que eu já ouvi”.

Enquanto o álbum não sai, a Impulse! liberou a faixa Epistrophy, como aperitivo. E no vídeo abaixo, temos o Quarteto de Thelonious Monk em Londres, em abril de 1966, com o tema Rhythm a Ning.

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Flávio de Mattos é jornalista e escreve aqui sobre jazz a cada 15 dias. Dirigiu a Rádio Senado. Produz o programa Improviso – O Jazz do Brasil, que pode ser acessado no endereço: senado.leg.br/radio 

Fonte: veja.abril.com.br/blog/noblat/o-jazz-de-monk-une-brancos-e-negros-em-palo-alto-por-flavio-de-mattos

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